Será que eu consigo escrever o meu próprio blog? Será que vou ter algum conhecimento útil a ser passado para alguém?
Realmente não sei, vou tentar... Se por acaso alguém ler, espero que goste.
Tentarei abordar assuntos diversos aqui de forma a acrescentar algo para quem leia e, se possível, fazer com que o leitor pense e reflita um pouco e se engrandeça de alguma forma.
Já que estou falando sobre "passar conhecimento", acho que pode ser legal já começar falando sobre esse assunto: O Ato de Ensinar.
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É muito comum aqui no Brasil eu ver crianças completamente desinteressadas nas matérias da escola, só pensando em futebol e video-game, e quando um pouco mais velhos, "pegar geral".
A coisa mais cômoda a se fazer para a sociedade é simplesmente reclamar e dizer: "ah, o ensino no Brasil está um lixo!" ou "Essa juventude não quer nada!".
Eu não gosto de comodismo e nem conformismo, talvez pelo simples fato de que para mim não é "divertido" (leia-se produtivo) ter esse tipo de atitude passiva.
Então, eu resolvi olhar por uma outra ótica e culpar os professores ao invés de culpar os alunos! Mas culpar os professores de não serem carismáticos e cativarem os alunos o suficiente também seria uma atitude passiva em princípio, então o que eu fiz foi me tornar professor também!
Pronto, agora eu culpo a mim mesmo quando meus alunos não estão interessados em aprender e posso fazer algo para mudar o que eu acho errado de forma ativa. Agora eu tenho a ótica do professor para poder opinar baseado nas minhas próprias classes (atualmente um total aproximado de 120 alunos).
Não sou professor de ensino fundamental para poder avaliar a questão principal que eu queria que é poder saber aonde, na base, surge o desinteresse das crianças em buscar o conhecimento e realmente amar absorver novas informações e se engrandecer, evoluir e crescer cada vez mais. Para minha sorte a minha irmã está se formando em pedagogia e talvez eu eventualmente consiga enxergar mais de perto essa questão que me incomoda muito.
Dentro de casa eu tenho meu irmãozinho de doze anos, que de fato só pensa em jogar futebol e video-game. Ano passado eu tentei estimular ele a estudar e ofereci um PSP de presente no fim do ano caso ele tirasse um mínimo de notas 10 na escola, o que ele conseguiu. Mas não sei até aonde minha forma de incentivo funcionou.
Voltando às minhas turmas, eu sou professor de Computação Gráfica, mais especificamente de um Software chamado Maya, para quem não conhece é o mesmo que a Pixar e a Dreamworks usam para fazerem aquelas animações maravilhosas (Procurando Nemo, Shrek, Toy Story e etc...).
E em todas as minhas turmas, na primeira aula, uma coisa que eu faço questão é de perguntar a cada aluno quem é ele. Não o nome, mas o que ele faz da vida e o que ele pretende conseguir no mundo do 3D. Daí eu falo um pouco sobre mim e, de acordo com como foi a apresentação de cada aluno eu vejo como vou direcionar o curso para aquela turma.
Uma coisa que eu acho bem legal é tratar o ser humano como humano e não como número. Para mim cada aluno é único e eu realmente quero que cada um daqueles quarenta que estão ali na turma tire o máximo possível dentro de seus interesses, inclusive às vezes passando hora no facebook de madrugada tirando dúvidas deles, quando eles têm esse tipo de interesse para mim é a coisa mais prazerosa do mundo.
Daí depois de falar desse monte de coisa linda, como se eu fosse o "melhor professor do mundo" (o que seria uma grande mentira, visto que eu ainda estou com minhas primeiras três turmas na vida, e a falta de experiência me faz estar muito longe de ser um professor tão perfeito assim...), vamos ao que me incomoda:
Muitos dos alunos que chegam ali fazem faculdade de algo ligado a Design, Animação, etc... e eventualmente tiveram aulas de algum software 3D na faculdade. O ponto é que TODOS que tiveram essa experiência chegam lá com ódio do software que aprenderam ou com medo do que eu vou ensinar.
De fato na primeira aula eu costumo dar um pouco de medo e mostrar algo um pouco complicado, mas apenas como exemplo para mostrar a eles como será importante ter um caderno à mão na próxima aula.
Mas o que me incomoda tanto nesse "trauma" que eles trazem das faculdades é que eu não consigo pensar em outra coisa senão em culpar os professores deles.
Primeiro porque diferente do ensino fudamental, dessa vez estou falando da MINHA área de ensino. Daí acredito que eu tenha algum "direito" de opinar.
E segundo, por que que os alunos chegam na minha turma com esses traumas da faculdade e saem amando o Maya? Realmente o software é fantástico, meu software favorito inclusive! Mas acho que essa é a chave para tudo:
Quando eu ensino Maya, eu não estou ensinando "mais uma matéria para pagar as minhas contas", até porque a minha renda mais alta não vem do trabalho como professor, vem do trabalho de produtor, no qual passo a maior parte do tempo. Quando eu estou em sala de aula, eu estou ensinando o que eu AMO desde os 9 anos de idade (e isso tem bastante tempo). E acredito que os alunos conseguem sentir esse meu amor verdadeiro pelo o quê que está sendo passado para eles. Acho que aluno sente muito isso, e se sente mais confiante em aprender e mais motivado quando vê que o professor realmente gosta de fazer o que ele está ensinando a fazer.
Outra coisa que talvez ajude é que eu sempre faço questão de mostrar que eu realmente sei fazer o que estou ensinando (agora mesmo estou finalizando a modelagem de uma Harley Davidson apenas para os meus alunos, e terminando ela começo a modelar o Aioria de Leão, versão do "Episódigo G (Gold)".
Talvez se os professores começassem a se preocupar mais em demonstrar esse amor que eles têm pelo conteúdo transmitido, os alunos conseguissem absorver um pouco disso e pudessem pensar: "Por que que esse cara ama tanto esse negócio? Talvez seja realmente tão maneiro assim..."
Diferente do que muitas vezes os professores demonstram para nós na escola, muitas vezes chegando com aquela cara de cansado e "minha vida é uma merda" e jogando a matéria no quadro de forma metódica e imposta.
FAÇAM OS ALUNOS PENSAREM!!!! Botar as engrenagens da cabeça de um ser humano para girarem no século XXI é quase um orgasmo, é um prazer imenso ver uma pessoa realmente PENSANDO no que está fazendo e cogitando aprender coisas novas, e eventualmente buscando novos conhecimentos na era do "google"!! É muito gratificante mesmo!!!
Paremd e ficar se queixando que "o mundo tá perdido" ou "o mundo é uma merda" e FAÇAM algo para mudar isso!!! Eu não gostava de como eu era ensinado matemática na escola, porque os professores não me passavam paixão pelo que ensinavam, pareciam muitas vezes ter preguiça de tirar dúvidas mais complexas quando eu as tinha e isso ía me desmotivando na matéria enquanto criança; e já que eu não gostava de como era feito comigo, eu procuro fazer diferente!!!
E de acordo com o que meus alunos dizem, e com as horas que eles passam no facebook, mesmo em horário de trabalho me fazendo perguntas e tirando dúvidas e me faz pensar que por mais longe que eu esteja de melhorar a forma de ensino da atualidade, hoje eu tenho pelo menos 120 pessoas das quais eu me orgulho de dizer que eu pude acrescentar pelo menos alguma coisa que seja na vida deles. É o que eu posso fazer por enquanto, é o que está ao meu alcance hoje.
É o suficiente, claro que não! Afinal, meu objetivo de vida é "deixar o mundo um lugar mais divertido (para mim mesmo, claro)", e como eu disse no começo, DIVERTIDO = PRODUTIVO = FUNCIONAL = INTELIGENTE!
Post Scriptum: Inteligir
in.te.li.gir
- (Filosofia) compreender ou apreender a realidade através do pensamento ou raciocínio objetivo, sem o uso de intuição ou sentimento.
Espero que este post inaugural tenha acrescentado algo para alguém... O próximo será sobre Bagunças Culturais.
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